Funcionalismo

Estou na sacada da minha sala e lá embaixo, na avenida Hercílio Luz, há dois funcionários da prefeitura tentando retirar do local a tampa de uma boca de lobo. Um Tobata está com o motor ligado há mais de meia hora e minha secretária Bruna começa a narrar o que estão fazendo os dois:

“O de cabelo branco está coçando a cabeça. Foi no Tobata, pegou uma pá para juntar uma pedra e colocá-la meio metro do lado. Era mais fácil empurrar com o pé. Agora os dois estão conversando. Pararam para dar uma olhada numa mocinha que está passando do outro lado da avenida. Os dois conversam e riem. O cabelo branco só fala, o outro é que faz uma forcinha para tirar a tampa da boca de lobo. O cabelo branco agora levanta a camisa e mostra a barriga. Não fez nada, mas tá morto de cansado. Ele fala, fala e não ajuda em nada. Já se passou mais meia hora e eles continuam ali, os dois olhando para tampa. Parece que querem levantá-la com os olhos. Eles confabulam, mas por enquanto não conseguiram decidir como tirá-la. Passa outra moça, os dois dão aquele olhar 43, cochicham e depois voltam ao trabalho. O motor da Tobata continua ligado. O cabeça branca tira duas pás de areia da beira da estrada e joga no reboque. A tampa saiu, olharam para dentro da tubulação e recolocaram a tampa no lugar. Conversam mais um pouco e finalmente vão embora. O ritmo é bom, dá para fazer mais umas duas até a uma hora da tarde!”.

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